No dia 18 de maio de 1973, uma menina de 8
anos foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espírito Santo.
Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizado e os seus agressores, jovens de
classe média alta, nunca foram punidos. A data ficou instituída como o “Dia
Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”
(OEA), a PESTRAF detectou a existência, no Brasil, de 241 rotas terrestres,
marítimas e aéreas usadas para explorar sexualmente mulheres, crianças e
adolescentes. Desse total, 131 são internacionais, 78 interestaduais e 32
intermunicipais. A maioria dessas rotas está no Norte e no Nordeste.
Segue abaixo o debate sobre a violência sexual.
1-Você acredita na ressocialização
de um estuprador ?
2-Você sabia que a pena máxima é de até 30 anos? O que
acha da castração?
3-Você
sabia que na maioria das vezes o estuprador é o próprio pai?
4-O
que você acha que pode ser feito para redução desse crime ?
DEPOIMENTO: Historiador - Carlos
Eduardo Rebuá (CATATAU)
1-Você
acredita na ressocialização de um estuprador ?
Acho complicado um processo de ressocialização nos termos e
nas formas que temos hoje. Creio que a sociedade civil (não apenas em relação
aos estupradores) deve efetivamente debater o tema, das escolas às igrejas, das
universidades ao Parlamento.
2-Você sabia que a
pena máxima é de até 30 anos? O que acha da castração?
Sabia da pena e sou contra a castração. Acho que abre um
precedente perigoso. Países onde isso existe não necessariamente tiveram uma
redução do índice.
3-Você sabia que na maioria das vezes o estuprador é o próprio
pai ?
Sabia. Tenho uma amiga próxima que passou por isso na família.
Acho que temos enorme urgência em debater o tema e expor para o conjunto da
sociedade em seus diversos âmbitos. Iniciativas como a de vocês são mais do que
imprescindíveis.
4-O que você acha que pode ser feito para redução desse crime
?
Imagino que devem caminhar juntas as políticas públicas de apoio
às vítimas e de coerção sobre os agentes. Todavia, num país que prende por 5
anos um corrupto e por 10 um ladrão de supermercado, há ainda muito a se
debater, fazer e avançar. Movimentos da sociedade civil tem construído ações
fundamentais nesse sentido, que devem ser ampliadas.
Depoimento : Arthur Guedes Ferreira
Perguntas difíceis...
Sobre a pena, eu sei, é o máximo para qualquer uma aqui nesse
País.
Castração , eu acho que não resolve, pois se a pessoa continuar
a ser um estuprador em sua psique ela achará um outro meio de prejudicar sua
vítima.
Ressocializar um indivíduo desses é complexo, pois é uma pessoa
com um sério problema psicológico e não sei até onde isso possa ser tratado com
efeitos que garantam que ele não prejudique mais ninguém, no nosso País acho
isso praticamente inviável.
Acho que a melhor forma de reduzir isso seria uma educação mais
sadia das futuras gerações para que respeitem mais não só as mulheres, mas como
a todos, e sem uma série de traumas de infância que geram essas pessoas doentes
que acabam produzindo tanto mal na nossa sociedade, os que já estão aí são
praticamente caso perdido, as chances de recuperação eu acho que são mínimas,
temos que investir no futuro.
Aline Sales - 20 de maio de 2015- 23:16
Não acredito. Para mim estupradores sofrem de transtornos
psicológicos incuráveis.
Se ao menos fosse cumprida na íntegra...mas não sabia o tempo
máximo de reclusão não. Quanto a castração acho válida, quando se tem o falo
como símbolo de poder em nossa sociedade,a castração seria mais um método para
diminuir a reincidência, uma vez que a partir do momento que você viola o
direito à dignidade sexual de outrem, o mesmo também poderia ser aplicado a
quem cometeu tal crime. Lógico que o estado não vai sair estuprando, porém
executando a castração.
Quando crianças somos orientados à temer estranhos ,porém
estatísticas mostram que o perigo mora ao lado. Violência sexual praticada por
pessoas muito próximas e até genitores. É terrível pensar em como o número de crianças
violentadas deve ser maior,pois não falam por haver um vínculo familiar e até
afetivo com o agressor.
Difícil responder. Cada caso é único. Tem estuprador que também
foi estuprado, outros são misóginos e nem consideram o que fazem como
errado,outros são sádicos. Não sei ...educação, segurança pública, reclusão e
acompanhamento psiquiátrico.
Jessica Ulli -19 de maio de 2015 15:54
A um tempo atrás respondi não ,mas hoje digo : Talvez, não sei,
pode ser. O que aconteceu? Refleti bastante sobre isso. É fato, quase
nenhum tem tratamento depois de uma certa idade, porém há casos e casos.
Sei da pena e na minha opinião deveria ser perpétua, como disse,
depois de uma certa idade não acredito na ressocialização, pois na maioria dos
casos há reincidência .
Castração, embriagada por ódio e indignação, eu pensei
que pudesse inibir, mas me fiz uma pergunta crucial: Se sou um ser diferente,
que se acha mais evoluído, como pagar violência com violência? Então, qual a
diferença entre o bonzinho e o vilão?
Através da psicanálise vi que a ação é fruto de um
processo interno , então a castração deve ser descartada, pois não vai
resolver e vai gerar violência. Parece óbvio, mas muita gente pensa na
castração e pena de morte, mas fazendo isso não se elimina o problema que
parece estar enraizado.
Eu sei que na maioria das vezes é o pai, tio, irmão...
Fiquei me perguntando : Porque? Como? Quando isso
surgiu ? Quando vai parar? É uma questão complexa.
Segundo estudos os seres humanos não são totalmente maus
nem totalmente bons ( Fora alguns casos incuráveis). O que é ? Desejo,
perversão, abstinência, vingança ?
Lembro das palavras de uma psicanalista: Quando se trata das
questões humanas, me parece que não houve muita mudança!
Quais são as propostas ? O sistema carcerário que cresce a cada
dia ? A justiça que muitas vezes é corrompida ?
Então, qual origem do estupro ? Quando o homem perdeu as
rédeas do auto- controle ?
Como isso pode ser evitado ? Não sei. Infelizmente, eu acho que
sempre vai existir, e só será reduzido quando o ser aprender a cuidar ,
valorizar mais o seu espírito, redescobrir o significado do que é
ser Humano, abandonar as futilidades e valorizar o que é essencial.