Os filhos que ninguém quer...
Os filhos que ninguém sonhou ter
Ninguém deu amor Ensinou o que é flor
A beleza do por do sol
O filho que chora e incomoda o mundo
Que brinca,corre,sorri
Mas ninguém vê
Filhos bastardos
Indesejados
Maltratados
Maltrapilhos
Famintos
Tristes
Violentos
Violentamente violentados
Sozinhos
Com sede
Perdidos
Tão Sozinhos
Causam medo
Horror
A culpa não é minha
Não é sua
A culpa é deles
Eles escolheram mal
Escolheram errado
Sou invisível , fraco
, covarde como um coelho
Mas um dia
Um dia essa arma não será de brinquedo, tio
Ai, a gente resolve
Descobre quem é o mais forte
Ser filho de ninguém
É ser menos que filho da puta
A puta , discriminada,solitária, coitada ,contundo ainda é
alguém.
Ninguém é vazio, silêncio, dor
Agora vamos todos ser
lançados lá
Na senzala moderna
Lá tem tronco
Capitão do mato
Lá tem morte
Lá a gente aprende a ser
gente
Gente que mata
Violenta
Tira a paz
Lá a gente esquece
Que pode ser
Talvez melhor
Mas , estamos fora da visão
Trancados , tempo indeterminado
Aguardando o dia
Em que enlouquecidos
Ensanguentados
Acusados
Por vingança
Estirados no chão
Ninguém mais uma vez
Sentirá falta de nós
O blog agradece ao Artista Adilson dias pela sua participação.
A relação de Adilson começou nas ruas. Menor de rua, ele ‘morava’ em frente à Candelária, no Centro da cidade. Saiu antes da chacina da Candelária, mas chegou a conviver com as vítimas (Sandro do ônibus 174) Hoje é diretor, cantor , professor e segue dando palestras pelo Brasil.
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