Eu tenho uma calopsita macho, presente para uma criança que queria um cachorro. Estava pensando no que escrever sobre o amor, e passei a tentar compreender o comportamento do bicho,aprendi valiosas lições.
1- Não se pode manter preso quem nasceu para ser livre. Juca tem tudo, comida, atenção, mas nada disso o impede de tentar todos os dias alçar voo para liberdade.
2- Não dá para adestrar o outro,a tentativa invasiva em mudar o comportamento faz com que o objeto amado se volte contra nós. Todas as vezes em que tentei faze- lo comer em minha mão, Juca fica bravo, quer bicar
3- O outro jamais pode ser tratado como um troféu, para massagear o ego, mostrar pra geral o quão conquistador você é. Sem falar nos atributos do ser amado, estes precisam ser exibidos para alimentarem a nossa quase inexistente autoestima. Me falaram pra assoviar músicas pro Juca imitar, ele assovia quando quer e imita quem quer e na maioria das vezes essa tentativa o deixa mudo.
Aprendi com Juca que por mais amor que venhamos dar a ele,nada se compara a liberdade, e isto sim é amar.Compreender o que é melhor para o outro,mesmo que não seja necessariamente o melhor pra nós. Amar é entrega e renúncia e também necessidade,porque pior que tudo é não amar.
Quanto a mim e ao Juca, aproveito cada dia com ele,sempre torcendo pra que ele queira ficar e não desista da gente, mas eu sei que o céu é tentador,e se ele decidir ir cabe a mim aceitar, mesmo que doa.

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