Qual a importância do silêncio?
Existem momentos, na maior parte do tempo, que ignoramos o mesmo descaradamente.
Estamos sempre querendo preencher o vazio, talvez por medo, e esquecemos como ele é essencial, reflexivo.
Não se trata de se calar, mas sim do silêncio meditativo, construtivo e semeador.
Nesse filme real o diretor Philip gröning mostra A GRANDE CARTUXA, ordem pioneira cartusiana .
A autorização foi pacientemente aguardada durante quinze anos com as seguintes condições:
Permanecer isolado com os monges, não usar luz artificial, não fazer perguntas ou comentários.
Ah, só um detalhe, a ordem dos cartuxos é inacessível, o mosteiro fundado no séc XI não recebe visitantes, porém Philip consegue adentrar e revelar o cotidiano dos monges.
Uma rotina simples,silenciosa, solitária preenchida com trabalho, orações, vigílias e jejuns.
Onde reina a essência de algo que parecia está perdido, onde o isolamento não é uma fuga, mas um sacrifício pelo mundo. Assim é a realidade do mosteiro fundado a quase mil anos nos Alpes franceses: voto de silêncio, sem tv, rádio, passeio só uma vez por semana .
Os Cartuxos formam uma Ordem milenar, fundada por São Bruno. Seu lema :
"Separados de todos, estamos unidos a todos já que é em nome de todos que nos mantemos na presença do Deus vivo[...]Nossa ocupação principal e nossa vocação é a de dedicar-nos ao silêncio e à solidão da cela.[...] Nela com frequência a alma se une ao Verbo de Deus, a esposa ao Esposo, a terra ao céu, o humano ao divino. » Estatutos 4.1 - Assim, sacerdotes e irmãos vivem uma vida de oração e de trabalho solitários; os primeiros na cela, e os segundos nas obediências"
Entrevista com diretor :
O que você guarda desses seis meses na companhia dos monges?
No começo, foi muito duro. Eu me senti cansado e abandonado. O silêncio me colocou face a face com meu vazio interior. Isso me deixou triste. No dia a dia, a gente preenche o vazio. Lá, eu não podia escapar de mim mesmo. Mas pouco a pouco o silêncio tornou presente o presente. Ele mudou minha maneira de ver o mundo. Eu descobri o milagre de estar presente às coisas. A beleza incrível de tudo o que nos rodeia. Isso ajuda a viver e dá alegria. Outra descoberta foi a confiança. Eu me dei conta de como eu vivia no medo. Para os monges, a vida forma um todo no qual os acidentes podem acontecer, mas o conjunto tem um sentido. Até então, eu achava que a coragem era o contrário do medo. Graças aos monges, eu descobri que é a confiança. /fonte: ihu.unisinos.
Texto : O eremitério da Cartuxa
Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes » 1Pe 5,5
O deserto é um fogo purificador.
Na solidão sai à superfície tudo o que somos. Todas as mesquinharias que deixamos introduzir-se aparecem com clareza, todo o mau que há em nós fica patente. Descobrimos nossa própria miséria, nossa profunda debilidade, nossa absoluta impotência.
Aqui, não é possível dissimular os artifícios que empregamos para ocultar estes aspectos de nós mesmos que nos desagradam e que, sobretudo, estão tão afastados do desejo daquele que o vê tudo e o penetra tudo. Resulta evidente que nos justificamos com demasiada facilidade considerando nossos defeitos como rasgos de caráter.
Aqui nos voltamos vulneráveis; não há escapatória. Não há distração que amorteça, nem desculpa que dispense. É impossível evitar o cara a cara com a realidade que somos nós, retirar os olhos desta miséria sem remédio que nos deixa totalmente nus.
Aqui se desmoronam as falsas construções, todos esses muros que levantamos para proteger-nos porque ¡quem poderá dizer com quanta frequência procuramos enganar-nos, tanto ou mais do que aos demais Mas a pretensão de conhecer as realidades divinas desaparece ante Aquele que permanece totalmente Outro.
É um caminho abrupto, na obscuridade, às apalpadelas, guiado unicamente pela fé, mas é um caminho para valer. Todas nossas seguranças pessoais ficarão enganchadas nas sarças do caminho e nos deixarão com esta única certeza: Que por nós mesmos não podemos nada.
É aí onde Deus nos espera, porque não se pode encher mais do que um recipiente vazio e se Ele nos quer encher de Si mesmo deve primeiro despojar-nos de tudo o que nos estorva. Par realizar um trabalho infinitamente delicado, o Artista divino tem necessidade de um material sem resistência. Então sua mão saberá suscitar de nossa miséria verdadeiras maravilhas que permanecerão ocultas a nossos olhos. Toda nossa alegria consistirá em deixar-nos transformar por Aquele que leva por nome Amor.
Quadro 3º : A obra da graça
Fontes :
http://www.chartreux.org/pt/eremiterio.php
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/5291-o-grande-silencio-entrevista-com-philipp-gr%C3%B6ning-diretor-do-filme
http://www.groening-film.de/kontakt.html
http://www.artechock.de/film/text/kritik/d/digrst.htm
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